Reticências…
Como poderia descrever tamanha inocência dos meus sentimentos, uma inconstância insignificante que me faz agir de forma dissimulada. Sinto-me impregnado com as lembranças dos vários sabores de uma noite junina, misturados com minha imperícia, tentava buscar assuntos com você, contudo percebia que a nossa conversa não era completa, e sim distante, por fim, era apenas uma dança…
Encorajado pela sua feição te procurei incessantemente, alimentado pelas lembranças de uma Sexta-Feira qualquer, e acabei sendo traído pelos meus próprios impulsos, não sabia sua idade e muito menos seu nome.
Não satisfeito com todas essas lacunas, acabei fazendo o que sei fazer de pior: transmiti os meus sentimentos mais delicados por um meio aterrador, onde os cliques prevalecem, e como não poderia ser diferente o resultado foi o obvio, e a razão mais uma vez prevaleceu soberana.
Vivo em um grande conflito entre a paixão e a razão, e confesso que essa pessoa conseguiu mexer comigo, em poucas conversas informais via “redes sociais” (Orkut) sentia sempre uma aspereza contundente, e não poderia ser diferente, pois não se conhecíamos, tentava de alguma forma encontrar afinidades comuns, no entanto, a razão sempre clara mostrava que nessa divisão o resultado nunca seria inteiro e sim fracionado.
Eu custo a aceitar que as pessoas também têm seus próprios devaneios, somos egocêntricos, e não sabemos se o coração alheio está ocupado ou vago para novos amores.
E acabamos sendo indelicados escrevendo declarações obscuras, e no fim acabamos inertes e envergonhados.
Eu não posso deixar de dizer que te achei bonita; e outros muitos adjetivos. Não sei se você tem miopia ou astigmatismo, em todo caso eu não posso deixar de dizer que os seus óculos ressaltam sua beleza.
Termino com muitas reticências…
Nota: Esse texto é uma ficção, qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência.
Autor: Gustavo Rugila


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